A minha paixão pelo
futebol popular é do tempo em que Jorge Costa era como o Vinagre, o Secretário era como Rui Camarão e o João, bem o João Camarão não era como
ninguém. Era uma jogador diferente de todos os outros, cabeça
levantada, peito para frente, rasgava o campo como um bote rasga o
Mondego.
Cresci na bancada de areia a ver o Cova-Gala, sem Ronaldos
nem Messis. Os meus craques eram estes: o João Camarão, o Gaffas, o
Bertier e o Jo
ão Carlos - este último ainda dá o ar da sua graça com 47 anos. Incrível!
As pevides eram as batatas fritas e no meio deste reboliço temporal sem
dar por isso já alimentava o meu gosto pelo jornalismo. Domingo era dia
de futebol. Ponto final!
Naquele tempo o ponto de encontro era o
Dory, o café do meu tio. Partilhávamos os dois a paixão pelo futebol
popular. Pelo Cova-Gala.
Anos depois dei por mim a seguir a equipa de Juniores. Que equipa caramba!
O Custódio Cruz, era o meu Mourinho da distrital: Lambreta, Fábio,
Tuka, João Daniel, João Vasvo , Dany, Rafa, são nomes de alguns dos
protagonistas que nos fizeram sonhar. Amanhã, parte deles vão estar a
pisar o pelado do sintético prometido. Uns defendem as cores da cidade
outros da aldeia. Sim também passa por ai este derbi inédito.
Hoje, falamos dos bebés do Bruno Lage. Esqueçam isso! Falem-me dos
bebés dos manos Camarão: o Zé Pedro, o João Pedro Camarão e João Carlos
Jr. que foram campeões distritais pelos infantis do Cova-Gala e que
tantas alegrias nos deram domingo após domingo, onde as duas mãos não
chegavam para contar o número de golos que esta máquina fabricava
constantemente. Amanhã, são estes os homens que nos vão fazer sonhar.
Sintam, amem o jogo como o nosso “Lhitas” ama o Cova-Gala. Fintem as
adversidades como o João Carlos fintou a morte. Mostrem do que somos
feitos - homens do mar.
Amanhã, a esta hora o impossível está apenas a um passo da vossa superação. Lembrem-se das palavras do “Lhitas” só isso.
A nossa identidade, carácter terá sempre um nome - GRUPO DESPORTIVO COVA-GALA.